CASO TELEXFREE: Sócios são intimados a depor na delegacia
Se liminar do Acre cair, promotores de outros Estados entrarão com ações, diz associação
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| Carlos Costa - Será ouvido na delegacia Imagem: Internet |
A liminar que suspende os pagamentos da Telexfree será analisada no dia 8 por
desembargadores do Acre, definiu nesta quinta-feira o Tribunal de Justiça
local. Mas, se a decisão for derrubada, promotorias do consumidor de outros
Estados entrarão com ações para reativar o bloqueio o mais rápido possível, diz
o presidente da Associação do Ministério Público do Consumidor (MPCon), Murilo
Moraes e Miranda.
"Caso
haja qualquer retrocesso na decisão do Acre, os MPs de todos os Estados
ingressarão [com ações] para garantir que não haja mais pessoas ludibriadas
pela Telexfree e para que se garanta um mínimo de devolução (do dinheiro
investido pelos consumidoers)", diz Miranda, promotor de Goiás.
A Telexfree
informa ser uma fornecedora de telefonia via internet (VoIP, na sigla em
inglês). Os pacotes, segundo a empresa, são comercializado por meio do sistema
de marketing multinível (MNN) – modelo de vendas diretas em que os
distribuidores ganham bônus pelos negócios fechados por outros distribuidores
que atraiam para a rede.
A MPCon
considera que a empresa, na verdade, erigiu uma das principais pirâmides
financeiras em atividade no Brasil. O advogado da Telexfree, Horst Fuchs, nega
que haja irregularidade.
Bloqueio
No dia 18 de
junho, a Justiça do Acre aceitou o pedido de liminar do Ministério Público do
Acre (MP-AC) e determinou o bloqueio de pagamentos aos distribuidores da
Telexfree (chamados de divulgadores) e dos bens dos sócios da empresa Carlos
Wanzeler, Carlos Costa e Jim Merryl.
A sentença
vale para todo o Brasil e o objetivo, segundo o MP-AC, é garantir a devolução
do dinheiro a quem investiu na empresa. Em março, Costa estimava que eles
somavam 600 mil associados.
Na
quarta-feira, logo após a decisão favorável ao bloqueio, os responsáveis pela
Telexfree tentaram transferir R$ 101,7 milhões para as contas de outras duas
empresas .
Ao iG , o
advogado Fuchs afirma que as transferências eram legais e ocorreram antes da
notificação do bloqueio dos bens. Metade do valor (R$ 51,7 milhões), diz, foi
destinado a uma empresa que faria o pagamento pelos serviços de interligação
entre o sistema de telefonia VoIP oferecido pela Telexfree e a rede de
telefonia convencional. A outra metade (R$ 50 milhões), alega, era destinada à
expansão da estrutura de uma companhia recém-aquirida pela Telexfree. A verba
será usada para expandir a estrutura VoIP.
Fuchs também
questiona a possibilidade de promotorias de outros Estados pedirem um novo
bloqueio dos pagamentos e dos bens dos sócios. O argumento é que apenas a
Justiça estadual do Espírito Santo (onde a empresa, sediada em Vitória, também
responde a uma ação), teria competência para decidir sobre a Telexfree.
"Vitória
seria o juízo competente porque foi o primeiro a se manifestar", diz
Fuchs, em referência ao processo que corre no Estado. "Então todas as
ações teriam de ser levadas a Vitória. Essa é a regra processual e, embora o
estado do Acre não tenha se curvado, ela irá prevalecer na segunda
instância", afirma o advogado.
Sócios são intimados a depor
A segunda
instância da Justiça do Acre analisará a liminar novamente nesta segunda-feira
(8), de acordo com a pauta de julgamentos publicada no Diário de Justiça.
É a terceira
tentativa dos advogados da Telexfree de derrubar a decisão: a primeira, feita
no próprio TJ-AC, foi negada pelo desembargador Samoel Evangelista. A segunda,
ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), foi recusada pela ministra Isabel
Galloti. Desta vez, o recurso será analisado por Evangelista e outros dois
magistrados da 2ª Câmara Civel do TJ-AC.
Na
terça-feira (9), Carlos Costa – um dos sócios da Telexfree e diretor de
marketing – será ouvido na Delegacia de Defraudações do Acre (Defa), onde
ocorre uma das investigações criminais contra os responsáveis pela empresa por
suspeita de crime contra e economia popular.
Os outros
três sócios, Carlos Wanzeler, Lyvia Wanzeler e James Merryl, também foram
intimados, mas, como moram nos Estados Unidos, deverão ser ouvidos por carta
rogatória – um instrumento usado para permitir a tomada de depoimentos em
outros países.
"[Costa] vai depor normalmente. Como sempre, há colaboração da empresa [com as
investigações]. Obviamente esse momento [tomada dos depoimentos dos sócios]
teria de vir porque eles estão sendo investigados. Seria até absurdo que isso
não acontecesse", diz Fuchs.
iG – Vitor Sorano

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