Terapia genética cura crianças impedidas de andar e falar
Vírus modificado foi utilizado para corrigir mutações ocorridas no DNA dos pacientes de doença que afeta um a cada 40 mil
Médicos
italianos anunciaram a cura de uma doença que tira a capacidade das
crianças de andar e falar. O estudo, anunciado na publicação científica Science,
usou uma técnica pioneira de terapia genética para corrigir erros no
DNA. Três pacientes que participaram do estudo já estão indo para a
escola.
Um segundo estudo, publicado ao mesmo tempo, mostrou que
uma terapia semelhante pode reverter uma doença genética grave que
afeta o sistema imunológico. Pesquisadores de terapia genética dizem que
o resultado dos estudos é "realmente emocionante".
Ambas as doenças são causadas por erros no código
genético do paciente - responsável pelo crescimento e funcionamento do
corpo. Os bebês que nascem com leucodistrofia metacromática parecem
saudáveis, mas seu desenvolvimento começa a regredir entre um e dois
anos de idade, pois parte de seu cérebro é destruído.
A Síndrome de Wiskott-Aldrich resulta num sistema
imunológico deficiente. Ela torna os pacientes mais suscetíveis a
infecções, cânceres, e o próprio sistema imunológico também pode atacar
outras partes do corpo.
Células infectadas
A técnica desenvolvida pela equipe de pesquisadores do Instituto Científico San Raffaele, em Milão, na Itália, usou um vírus geneticamente modificado para corrigir as mutações prejudiciais nos genes dos pacientes.
A técnica desenvolvida pela equipe de pesquisadores do Instituto Científico San Raffaele, em Milão, na Itália, usou um vírus geneticamente modificado para corrigir as mutações prejudiciais nos genes dos pacientes.
Células-tronco são retiradas do paciente e o vírus é
usado para "infectar" as células com pequenos fragmentos de DNA que
contêm as instruções corretas. Estas são, então, colocadas de volta no
paciente.
Três crianças de famílias com histórico de
leucodistrofia metacromática foram escolhidas para o tratamento, mas
antes que sua função cerebral começasse a degenerar.
Alessandra Biffi, uma das médicas envolvidas no estudo,
disse à BBC: "O resultado foi muito positivo, todos estão bem, e vivendo
uma vida normal numa idade em que seus irmãos eram incapazes de falar. É
um resultado que nos deixa muito felizes".
Biffi disse que todos os tratamentos tiveram efeitos
colaterais, e que os pacientes precisaram ser acompanhados por mais
tempo. Mas as evidências sugerem, até agora, que o tratamento é seguro.
'Nova era'
A terapia genética é um campo que prometeu muito mais do que já ofereceu e tem sido dificultada por várias preocupações relacionadas a segurança. A primeira terapia genética na Europa só foi aprovada em 2012.
A terapia genética é um campo que prometeu muito mais do que já ofereceu e tem sido dificultada por várias preocupações relacionadas a segurança. A primeira terapia genética na Europa só foi aprovada em 2012.
Biffi disse que lições foram aprendidas a partir de
falhas anteriores: "A terapia genética pode ser melhorada. Podemos estar
vivendo uma nova era, onde podemos conseguir fazer mais do que fizemos
no passado."
No outro estudo, publicado simultaneamente na revista Science, sintomas como infecções e eczema haviam diminuído nos três pacientes tratados.
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Fonte: Terra
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