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| Fila do SUS. Imagem: OPN |
Reportagem
do Fantástico mostra como hospitais em todo Brasil estão operando
milagres na hora de cobrar do SUS por internações e atendimentos
médicos.
Na
Bahia, o homem que deu à luz! Em Rio Bonito, o irmão de Ana morreu duas
vezes! Em Maricá, a mulher que tirou a próstata. E em São Paulo,
encontramos o rapaz que já morreu.
Fraudes
que tiram milhões de reais da saúde brasileira. E erros que revelam a
fragilidade de um sistema criado justamente para melhorar o controle
sobre as internações.
A
reportagem encontrou Ednilton, que mora em uma casa na periferia de
Salvador, é casado e tem três filhos. Ele procurou o hospital geral
Roberto Santos, em 2011, para fazer uma pequena cirurgia. A instituição
apresentou a fatura e recebeu do SUS pelo serviço.
O
hospital apresentou uma outra conta sobre a passagem do paciente
naquela época. A fatura tem um período de internação maior, valores mais
altos. E um procedimento no mínimo surpreendente para um homem. Segundo
o registro, Ednilton passou por uma cesariana, teria feito um parto. E o
SUS pagou por isso.
Mais de R$ 11 bilhões por internações
No
ano passado, o SUS gastou mais de R$ 11 bilhões com o pagamento de
autorizações de internações hospitalares. Mas, segundo auditores do
Datasus – o banco de dados do SUS , há irregularidades em, no mínimo,
30% das AIHs.
“Essas
denúncias são muito graves porque elas fazem parte de um universo de um
milhão de internações que são realizadas pelo SUS todo mês”, afirma o
professor de medicina da USP, Mário Scheffer.
O
Fantástico teve acesso a informações de mais de 20 mil autorizações de
internações hospitalares com suspeita de fraudes, feitas de 2008 até
agora. E percorreu o Brasil para saber se as histórias no papel eram as
mesmas contadas pelos pacientes.
Morto duas vezes
Em
Rio Bonito, no interior do estado do Rio, a morte do aposentado Sinésio
da Costa Pereira, há quase cinco anos, foi muito difícil pra família.
Ele ficou internado por quase três semanas com várias complicações. Foi
sepultado em 21 de dezembro de 2008.
Sinésio
morreu na clínica Santa Helena, em Cabo Frio, também no estado do Rio.
Mas, pelos registros do hospital, a história dele não termina aí. Ele
teria voltado à clínica em março de 2009, pelo que consta numa segunda
AIH aberta em nome dele. E depois de 21 dias de internação teria morrido
pela segunda vez.
“Não
tem lógica isso aí. Se a pessoa morreu, foi sepultada, como que ele
faleceu de novo?”, questiona Ana Cavalcanti, irmã de Sinésio.
As fraudes nas AIHs permitem outros absurdos, como uma mulher que passou por uma operação da próstata, um órgão masculino.
Crenilda
foi até à casa de saúde Santa Maria, em São Gonçalo, na Baixada
Fluminense, para operar a vesícula. Passou dois dias no hospital. A
instituição criou uma segunda AIH com os dados da paciente. Mudou apenas
o sexo no registro. E cobrou do SUS o procedimento que só pode ser
feito em homens.
“É
preciso esclarecer porque os serviços de regulação, controle e
auditoria falharam e deixaram que fossem feitos pagamentos mesmo diante
de irregularidades”, diz Mário Scheffer.
Mesmo
após a suposta morte, todas as outras internações de Júlio Cesar foram
autorizadas e pagas, sem que ninguém percebesse o erro. Hoje, ele está
aposentado por invalidez. Quando soube que era considerado morto, ficou
com medo de perder o benefício do INSS.
Voz do Acre com informação de TV Globo
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