Unidade está sem eletrodos; superintendente garante retorno hoje, mas diz que outros materiais podem faltar
A denúncia de que o HU está sem receber pacientes na UTI por falta de materiais foi feita por um familiar de um dos pacientes internados, que ligou para a Redação do Jornal Correio, na tarde do último sábado. “É uma situação triste e revoltante. Me dói ver tantas pessoas precisando se internar e o HU com leitos desocupados e sem receber”, desabafou, o home, que preferiu não se identificar.
O superintendente do HU atribuiu a paralisação parcial ao atraso na entrega do insumo (eletrodos), ocasionado, por sua vez, por sua compra tardia. Isso se deve à crise financeira permanente da unidade, que não dispõe de recursos próprios suficientes e depende diretamente de repasses do Ministério da Educação (MEC).
“Vivemos um dilema”
“Vivemos sempre um dilema no hospital. Recebemos R$ 1,3 milhão de recursos financeiros (mensalmente), mas tenho uma necessidade de R$ 4 milhões. A gente sobrevive porque o MEC vive nos dando alguma ajuda financeira”, afirmou o superintendente João Batista. A última delas tinha sido prometida em junho, no valor de R$ 2,199 milhões, mas só foi publicada em 19 de julho e recebida no começo deste mês.
“A partir do momento em que a verba chegou, preparamos o empenho e mandamos para a firma, mas ela tem de 15 a 30 dias para entregar, por isso houve esse atraso (que ocasionou a falta de eletrodos). Por precaução, pedimos que, a partir da quarta-feira, não fossem cirurgias que dependessem da UTI nem que fosse internado nenhum paciente com essa necessidade”, explicou.
Mesmo com a chegada dos eletrodos na sexta-feira e com a regularização prometida para hoje, o superintendente informou que o HULW não está livre de enfrentar novamente a situação vivida desde a última quarta-feira. “Os atendimentos vão retornar na segunda (hoje) sem problema, desde que todos os outros materiais comprados sejam entregues. Até sexta-feira, por exemplo, possa ser que algum item caia muito no estoque e o empresário ou empresa não tenham entregado os produtos”, sinalizou.
Estoque de sondas é baixo
Apesar da informação do superintendente, funcionários e médicos do HULW que trabalham na UTI não sabiam, ainda ontem, da chegada dos eletrodos na última sexta-feira. Por isso, relataram a incerteza quanto aos atendimentos. Sem querer se identificar, uma funcionária explicou que, além dos eletrodos, também existe um baixo estoque de sondas, o que constitui um risco. “A gente não pode receber um paciente porque o material é insuficiente. Tem que ser um material que dure dias. Não adianta resolver um problema agora e não ter um suporte para resolver amanhã. Você tem que ter um estoque mínimo de segurança”, enfatizou.
Por esse motivo, a funcionária explicou que, embora o HU só tivesse cinco dos 12 leitos da UTI adulta ocupados durante a paralisação, os pacientes estavam sendo encaminhados para outros hospitais, a partir da verificação de disponibilidade no sistema de regulação da Secretaria Estadual de Saúde.
Material só para um mês
Tentando solucionar a crise enfrentada pela unidade, o superintendente João Batista disse que a diretoria está apresentando ao MEC uma espécie de relatório com todas as necessidades financeiras internas até o final do ano. Isso dará tranquilidade por mais tempo, já que o HULW só tem conseguido comprar os materiais necessários em quantidade suficiente para um mês. Ao total, são solicitados R$ 8,1 milhões. “Mas, não sei quando o MEC vai mandar, nem quanto vai mandar”, problematizou. Quanto à compra de novos materiais que porventura venham a faltar nos próximos meses, ele disse não ter caixa para comprá-los. “Espero que, até lá, o MEC já tenha se manifestado e passado alguma verba”, afirmou.
Portal Correio
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