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Unidade está sem eletrodos; superintendente garante retorno hoje, mas diz que outros materiais podem faltar
Hospital Universitário
Hospital UniversitárioO Hospital Universitário Lauro Wanderley (HULW), da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), está sem receber pacientes graves em sua Unidade de Terapia Intensiva (UTI) adulta, desde a última quarta-feira, por falta de materiais básicos, como eletrodos, utilizados para monitorar os enfermos. Neste domingo (25), o superintendente do HU, João Batista da Silva, garantiu que o hospital deve voltar a receber pacientes nesta segunda-feira (26). No entanto, afirmou que a situação não está totalmente resolvida e pode voltar a ocorrer nos próximos dias, pois o estoque de outros itens pode se esgotar antes que as empresas os entreguem. Segundo funcionários, sondas é um item que poderá faltar. Dos 12 leitos da UTI, apenas cinco estão ocupados.
A denúncia de que o HU está sem receber pacientes na UTI por falta de materiais foi feita por um familiar de um dos pacientes internados, que ligou para a Redação do Jornal Correio, na tarde do último sábado. “É uma situação triste e revoltante. Me dói ver tantas pessoas precisando se internar e o HU com leitos desocupados e sem receber”, desabafou, o home, que preferiu não se identificar.
O superintendente do HU atribuiu a paralisação parcial ao atraso na entrega do insumo (eletrodos), ocasionado, por sua vez, por sua compra tardia. Isso se deve à crise financeira permanente da unidade, que não dispõe de recursos próprios suficientes e depende diretamente de repasses do Ministério da Educação (MEC).
“Vivemos um dilema”
“Vivemos sempre um dilema no hospital. Recebemos R$ 1,3 milhão de recursos financeiros (mensalmente), mas tenho uma necessidade de R$ 4 milhões. A gente sobrevive porque o MEC vive nos dando alguma ajuda financeira”, afirmou o superintendente João Batista. A última delas tinha sido prometida em junho, no valor de R$ 2,199 milhões, mas só foi publicada em 19 de julho e recebida no começo deste mês.
“A partir do momento em que a verba chegou, preparamos o empenho e mandamos para a firma, mas ela tem de 15 a 30 dias para entregar, por isso houve esse atraso (que ocasionou a falta de eletrodos). Por precaução, pedimos que, a partir da quarta-feira, não fossem cirurgias que dependessem da UTI nem que fosse internado nenhum paciente com essa necessidade”, explicou.
Mesmo com a chegada dos eletrodos na sexta-feira e com a regularização prometida para hoje, o superintendente informou que o HULW não está livre de enfrentar novamente a situação vivida desde a última quarta-feira. “Os atendimentos vão retornar na segunda (hoje) sem problema, desde que todos os outros materiais comprados sejam entregues. Até sexta-feira, por exemplo, possa ser que algum item caia muito no estoque e o empresário ou empresa não tenham entregado os produtos”, sinalizou.
Estoque ­de sondas é baixo
Apesar da informação do superintendente, funcionários e médicos do HULW que trabalham na UTI não sabiam, ainda ontem, da chegada dos eletrodos na última sexta-feira. Por isso, relataram a incerteza quanto aos atendimentos. Sem querer se identificar, uma funcionária explicou que, além dos eletrodos, também existe um baixo estoque de sondas, o que constitui um risco. “A gente não pode receber um paciente porque o material é insuficiente. Tem que ser um material que dure dias. Não adianta resolver um problema agora e não ter um suporte para resolver amanhã. Você tem que ter um estoque mínimo de segurança”, enfatizou.
Por esse motivo, a funcionária explicou que, embora o HU só tivesse cinco dos 12 leitos da UTI adulta ocupados durante a paralisação, os pacientes estavam sendo encaminhados para outros hospitais, a partir da verificação de disponibilidade no sistema de regulação da Secretaria Estadual de Saúde.
Material só para um mês
Tentando solucionar a crise enfrentada pela unidade, o superintendente João Batista disse que a diretoria está apresentando ao MEC uma espécie de relatório com todas as necessidades financeiras internas até o final do ano. Isso dará tranquilidade por mais tempo, já que o HULW só tem conseguido comprar os materiais necessários em quantidade suficiente para um mês. Ao total, são solicitados R$ 8,1 milhões. “Mas, não sei quando o MEC vai mandar, nem quanto vai mandar”, problematizou. Quanto à compra de novos materiais que porventura venham a faltar nos próximos meses, ele disse não ter caixa para comprá-los. “Espero que, até lá, o MEC já tenha se manifestado e passado alguma verba”, afirmou.

Portal Correio

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